Idoso independente e idoso dependente
Existem variações significativas relacionadas ao estado de saúde, autonomia e níveis de independência entre pessoas idosas que possuem a mesma idade. São vários os determinantes de um envelhecimento ativo, que podem levar uma pessoa idosa à independência e a autonomia, bem como podem tornar também este idoso, uma pessoa dependente.
O termo “envelhecimento ativo” foi adotado pela Organização Mundial da Saúde no final dos anos 90. Procura transmitir uma mensagem mais abrangente do que “envelhecimento saudável”, e reconhecer, além dos cuidados com a saúde, outros fatores que afetam o modo como osindivíduos e as populações envelhecem (Kalache e Kickbusch, 1997).
Mostraremos abaixo, segundo cada determinante do quadro acima, o que cada pessoa, grupos ou países (no âmbito social e político), podem fazer para buscar um envelhecimento ativo:
• Para promover o envelhecimento ativo, os sistemas de saúde necessitam ter uma perspectiva de curso de vida que vise à promoção da saúde, prevenção de doenças e acesso eqüitativo a cuidado primário e de longo prazo de qualidade.
• A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que é tarde demais para se adotar esses estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool, e fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, aumentar a longevidade e a qualidade de vida do indivíduo.
• Ambientes físicos adequados à idade podem representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles em processo de envelhecimento. Por exemplo, pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem, provavelmente, com menos freqüência, e, por isto, estão mais propensas ao isolamento, depressão, menor preparo físico e mais problemas de mobilidade.
• Três aspectos do ambiente econômico têm um efeito particularmente relevante sobre o envelhecimento ativo: a renda, o trabalho, e a proteção social. Está demonstrado que o idoso que apresenta melhor renda, melhor aposentadoria, tem condições de se alimentar melhor, de comprar os melhores medicamentos que lhe são prescrito e usar esta renda para uma melhor qualidade de vida, tanto social, quanto de saúde. O trabalho, mesmo após a aposentadoria, mesmo que voluntário, faz do idoso uma pessoa produtiva, esbanjando experiência, com reflexos diretos na saúde mental e física.
• Apoio social, oportunidades de educação e aprendizagem permanente, paz, e proteção contra a violência e maus-tratos são fatores essenciais do ambiente social que estimulam a saúde, participação e segurança, à medida que as pessoas envelhecem. Solidão, isolamento social, analfabetismo e falta de educação, maus tratos e exposição a situações de conflito aumentam muito os riscos de deficiências e morte precoce.
Idoso Dependente - Dependência é um estado no qual um indivíduo confia em outro (ou em outros) para ajudá-lo a alcançar necessidades previamente reconhecidas. A dependência, ao contrário do que muitas vezes se possa pensar, não é um atributo exclusivo da velhice, podendo ser constatada ao longo do processo evolutivo do ser humano.
Ao nascer, o bebê mantém uma relação de dependência com a mãe e as demais pessoas que o cercam, relação que vai diminuindo, gradativamente à medida que cresce, dando lugar à competência.
Na idade adulta esse mesmo ser, agindo por vontade própria, de forma independente, na grande maioria de seus atos ou realizações, apresenta um grau de dependência muito pequeno em relação aos outros adultos.
Já na velhice, esse processo de dependência reaparece, por conta do processo fisiológico do envelhecimento, e se manifesta, com maior intensidade e freqüência, pela ocorrência de doenças e condições adversas, tais como pobreza, fome, maus tratos, abandono…
Existem variados graus de dependência, entre os idosos:
• Baixa dependência: onde os idosos são somente supervisionados em todas as suas tarefas e atividades de vida diária. Muitas vezes, são idosos saudáveis, mas de idade bastante avançada.
• Média dependência: os idosos, aqui, encontram-se numa situação em que necessitam não só de supervisão, mas também de ajuda efetiva de cuidador, no desempenho de algumas atividades básicas, como tomar banho, tomar medicamentos, cuidar de suas finanças, ir ao médico, etc. São os idosos que apresentam alguma deficiência ou doença, tais como osteoartrose importante, patologias cardíacas, déficit visual ou auditivo, etc.
• Elevada dependência: os idosos com elevada dependência necessitam diariamente do auxílio intensivo de cuidadores, não tendo capacidade para desempenhar mais qualquer tipo de atividades de vida diária (AVD). São os idosos já com um processo avançado de doenças incapacitantes, como as demências, a doença de Parkinson, as neoplasias. Normalmente, estão restritos ao leito e à cadeira, tem dificuldades cognitivas sérias e apresentam descontrole esfincteriano (incontinência urinária e fecal).
Dr. Márcio Borges do site www.cuidardeidosos.com.br
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