Contadores de História ajudam pessoas internadas em hospitais

por Diogo Silva


No dia 22 de agosto, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) começou um trabalho de contação de histórias para adultos em tratamento na unidade e seus acompanhantes. A iniciativa foi idealizada pelo Serviço de Hotelaria e Hospitalidade do Icesp e tem como objetivo tornar a estadia dos que vem à instituição para passar por procedimentos rotineiros mais amena.

De acordo com as necessidades de cada pessoa, são escolhidas histórias com temáticas diferentes. Elas são selecionadas pela área de psicologia, que utiliza o serviço como ferramenta para abordagem de assuntos com os quais os pacientes se sentem pouco à vontade. “Os temas tratam de assuntos universais, como amor, amizade, fé e recursos interiores, visto que este acervo foi pensado a fim de ser apresentado não apenas ao paciente oncológico, como também aos seus familiares e acompanhantes”, diz Vânia Rodrigues Pereira, gerente do serviço de hotelaria e hospitalidade do Icesp. Os atendimentos são realizados diariamente e duram, em média, 40 minutos.

“São cinco títulos (a árvore vermelha, a flor do lado de lá, como pegar uma estrela, a moça tecelã e o violinista), que abordam as diferentes posturas possíveis frente aos obstáculos, estimulam a aceitação do tratamento, a busca de recursos interiores, a reflexão sobre os distintos momentos e objetivos da vida ou provocam a ponderação sobre o exercício do desapego e de despedidas, a reavaliação dos sentimentos de frustração e perda, além do entendimento sobre o que significa ter resiliência”, explica Vânia. Depois da intervenção, segunda a gerente, o que se nota é uma abertura maior por parte do paciente para expor conflitos internos.

Os profissionais da hospitalidade do ICESP responsáveis por conduzir essa iniciativa passaram por um período de capacitação específica de dois meses antes de iniciar os atendimentos. De acordo com Marcelo Candido, contador de histórias do Icesp, a contação de histórias remete à infância, portanto, traz sentimentos como acolhimento e aconchego. “Criamos uma atmosfera informal, pois a intenção do contador de história é estimular que o paciente conte as suas próprias histórias. Por meio dessa abertura, os profissionais da equipe multiprofissional, composta por psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos têm acesso a uma importante fonte de informação sobre os sentimentos e percepções do paciente - ele mesmo. Isso facilita a aproximação da equipe multiprofissional com o paciente, contribuindo positivamente e efetivamente com o tratamento”, diz Marcelo.

Organizações do terceiro setor também desenvolvem trabalhos de contação de histórias em hospitais, como a Associação Viva e Deixe Viver, presente em nove estados brasileiros. A iniciativa surgiu após Valdir Cimino, presidente e fundador da associação, escutar de sua sobrinha a sugestão de ler para as crianças em ambiente hospitalar, ao conversarem sobre o que seria possível fazer para transformar a sensação de medo que os pequenos podem sentir quando internados. “Em 1997, deu início ao que posso chamar de um salto quântico em minha vida. Daí pra frente passei a ouvir mais e falar o essencial, ter mais cuidado com minhas ‘palavras’ e a permitir, por exemplo, que o Pinóquio e Gepetto possam receber a ajuda dos Power Ranges para sair da barriga da baleia”, diz Cimino.

Segundo Cimino, além das crianças, os contadores de histórias também são beneficiados com a iniciativa. “Nossos contadores dizem que os maiores beneficiados são eles mesmos. Para eles os benefícios estão no bem estar da criança, no reconhecimento profissional na empresa e na sociedade, respeito da família e amigos, melhora da auto-estima, dever social, compromisso com a associação e a criança”, diz o presidente da associação.

Outras instituições, no país, também desenvolvem o trabalho de contação de histórias, como o Instituto História Viva, com sede em Curitiba e presente em 11 cidades brasileiras e a Associação Griots, que realiza seus trabalhos na região de Campinas, no interior do estado de São Paulo.

Para saber como ser voluntário e participar das iniciativas promovidas por essas instituições, acesse os links abaixo.

Associação Viva e Deixe Viver

Instituto História Viva

Associação Griots
 
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