Berço a berço


Já imaginou um mundo em que não houvesse lixo? No qual a embalagem do alimento que você ingere sirva de adubo para solo e os componentes do celular que não serve mais podem ser inteiramente reaproveitados para a construção de um novo aparelho com uma tecnologia mais avançada? É este modo de produção, em que tudo se transforma, que propõe o conceito berço a berço.

O livro “Cradle to Cradle” (“berço a berço”, ainda não publicado no Brasil), de William McDonough e Michael Braungart, apresenta a alternativa, propondo um sistema de produção circular que não gere resíduos.

A ideia é bem simples: em vez de um sistema linear (recursos > produtos > resíduos, bem exemplificado no vídeo “A história das coisas”), sugere-se a adoção de um sistema circular (recursos > produtos > resíduos> produtos...). Assim, no lugar de um sistema que vai “de berço ao túmulo”, teremos outro “de berço a berço”, de modo que a economia continue funcionando, mas sem deixar as sobras que arriscam nossa existência na terra.

Os produtos fabricados por meio desse conceito são diferentes dos gerados a partir da simples reciclagem. Seguindo o modelo, o reprocessamento do produto descartado irá criar um novo produto com a mesma qualidade, ou superior, ao original - o que não significa que seja para a mesma aplicação ou o mesmo mercado.

Nesse modelo de produção, há até espaço para o crescimento econômico. Basta que os produtos adotem o conceito UpCycle: criar produtos que deixem o planeta melhor do que antes. Assim não basta que os produtos neutralizem as emissões de carbono. Este devem gerar impactos positivos na natureza.

Já existem algumas empresas que começam a pensar na reutilização de seus resíduos. É o caso de uma indústria em Franca (SP) que criou o primeiro sapato biodegradável, é decomposto no meio ambiente em aproximadamente cinco anos, enquanto o convencional demora mais de 250 anos.

Nutrientes

Entretanto, o reaproveitamento integral dos produtos depende de muito mais que boa vontade. Atualmente, o próprio modo de produção dificulta a separação de resíduos. É o caso as embalagens de biscoitos, que mistura alumínio em plástico impossibilitando a reciclagem.

Para solucionar a questão, o livro propõe uma divisão básica entre as matérias-primas que a humanidade emprega. Há dois tipos: aquelas compostas de “nutrientes biológicos” e as de “nutrientes técnicos”.

Nutriente biológico é a matéria orgânica, que pode ser digerida e reintegrada aos ecossistemas. Já o nutriente técnico é aquele que continua tendo valor para a indústria mesmo depois de sua utilização, tal quais metais e outros materiais valiosos.

Somente com essa divisão já é possível vislumbrar outro cenário. No caso da embalagem de biscoito, esta poderia ser programada para virar nutriente após seu uso – tal qual o sapato. Para que isso ocorresse não se poderia contaminar a embalagem (nutriente biológico) com metais pesados (nutriente técnico), como é feito atualmente.
  Fonta: Portal EcoD.
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