SP: Primeira semana sem sacolas plásticas


Por Diogo Silva

Resultado de um acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e o governo do Estado de São Paulo, o banimento das sacolas plásticas completa uma semana em vigor no dia 1º de fevereiro. A medida, sem força de lei, vem fazendo com que lojistas e consumidores adotem novas práticas para a embalagem e transporte dos produtos comercializados nos supermercados da capital paulista.

Uma pesquisa realizada pelo DataFolha e publicada pelo jornal Folha de São Paulo no dia 31 de janeiro mostra que a iniciativa está sendo bem aceita pela maioria da população. Entre os 1.090 paulistanos entrevistados, 57% disseram ser favoráveis ao fim da distribuição das sacolas plásticas em supermercados.

“A primeira semana foi excelente. A pesquisa do DataFolha mostra a aceitação da medida pela maior parte da população. O projeto está implantado e agora a APAS e o setor começam a fazer os ajustes finos. Não há problemas sérios no projeto, apenas dúvidas dos próprios associados da APAS e de consumidores, todas sendo esclarecidas sem problemas. Os supermercados paulistas atendem 85% das famílias e o nível de consciência ambiental é muito grande”, diz João Sanzovo, diretor de sustentabilidade da APAS.

Como alternativa às sacolas plásticas, as redes de supermercados estão disponibilizando caixas de papelão de forma gratuita e comercializando sacolas biodegradáveis pelo preço médio de R$ 0,20. Feitas de amido de milho, elas decompõem-se de seis a 18 meses, enquanto o plástico derivado de petróleo demora mais de 400 anos. Já as sacolas retornáveis (“ecobags”), com preços variados, de acordo com o material utilizado na confecção e o tamanho, são a escolha preferida pela maioria dos entrevistados (63%), ainda de acordo com a pesquisa DataFolha. Os consumidores também vêm utilizando carrinhos de feira e caixas plásticas dobráveis para transportar suas compras.

“Sou a favor da medida e espero que possa ajudar a cidade a sofrer menos com os entupimentos dos bueiros, mas não acho justa a cobrança por um serviço que era oferecido de graça. Como precisava de poucas coisas, escolhi as sacolas biodegradáveis”, diz o empresário João Alves, 39, ao sair da loja de uma grande rede de supermercados no centro de São Paulo. A dona de casa Lourdes Fátima, 52, também apoia a iniciativa, mas reclama da falta de alternativas em caso de compras não planejadas. “Hoje trouxe meu carrinho de feira pois saí de casa já sabendo que não haveriam sacolas. Mas, e se eu estiver na rua e precisar comprar algo que não havia planejado? Vou ter que pagar pelas sacolas, já que as caixas de papelão são difíceis de carregar”, alega Fátima.

A maioria dos entrevistados pela pesquisa DataFolha (66%) compartilham a posição contrária à cobrança pelas embalgens biodegradáveis. O levantamento ainda traz a informação de que 57% não pretende comprar esse tipo de sacolinha. Entre os consultados, 67% disseram já possuir uma sacola retornável (ecobag).

A Plastivida, entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor de plásticos, alega que o banimento das sacolas não é o caminho para garantir benefícios ao meio ambiente e defende que o caminho correto para o consumo responsável se dá por meio da educação ambiental. A instituição desenvolve programas que visam a redução do desperdício e do descarte inadequado de sacolas plásticas. De acordo com a Plastivida, essas iniciativas, desenvolvidas em nove capitais, promoveram uma redução de quatro bilhões de sacolas plásticas entre 2008 e 2010.

“A defesa do meio ambiente só será eficaz se as ações partirem de princípios educativos e não de restrição de um ou outro produto. É fundamental que a sociedade tenha a informação correta para poder decidir qual é o melhor produto ou embalagem que deve adotar para garantir seu conforto e qualidade de vida, além da preservação ambiental”, diz Miguel Bahiense, presidente da Plastivida.

Os consumidores que se sentirem lesados pela falta ou dificuldade de encontrar alternativas gratuitas às sacolinhas plásticas devem procurar os órgãos de defesa de seus direitos, como o Procon, que já se pronunciou a respeito do assunto em nota oficial, na qual ressalta a necessidade de disponibilização de outros modos de transporte dos produtos adquiridos que não representem custos extras ao consumidor. “O consumidor que não pode comprar sacolas biodegradáveis ou retornáveis terá que sair dos supermercados com as compras nas mãos, ou utilizar as caixas de papelão usadas, que podem estar contaminadas. É um claro desrespeito. O custo das sacolas está embutido no preço dos produtos, logo é um direito do consumidor ter acesso a elas”, ressalta Bahiense.

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