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Gustavo Cerbasi, Consultor fianceiro.
30/11/2009 | 16:24

Mestre em Administração/Finanças pela FEA/USP, formado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com especialização em Finanças pela Stern School of Business - New York University e pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

Leciona em cursos de pós-graduação e MBAs pela FIA, além de diversos cursos ministrado 'in company'. É sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro.

É autor de diversos livros de educação financeira, entre eles Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, Dinheiro - Os Segredos de Quem Tem e Investimentos Inteligentes para Conquistar e Multiplicar seu Primeiro Milhão.

1 - Muito se fala hoje em dia sobre o Consumo Consciente e como ele pode representar um meio de preservação dos recursos naturais. Cuidar de suas finanças pessoais é uma forma de Consumo Consciente?

Sem dúvida. Ao planejar nossas finanças pessoais, consumimos mais com menos dinheiro, e não é difícil entender o porquê. Ao poupar para pagar à vista, por exemplo, ganhamos juros ao invés de recorrer aos juros das compras parceladas.

Com compras planejadas, identificamos oportunidades de preços baixos e evitamos a compra urgente, que custa mais caro e implica em maior custo de entregas urgentes. Ao planejar e antecipar nossos gastos com presentes, conseguimos presentear usando mais nossa criatividade e menos dinheiro. Com menor pressão para ter dinheiro, conseguimos dedicar mais tempo à família, ao bate-papo em torno da mesa de jantar ao cozinhar (em lugar de aquecer no microondas) e a uma vida mais saudável.

Tudo isso redunda em mais qualidade de vida e menor dependência pelo lazer urgente, pela compensação da pessoa amada com presentes caros no lugar de presentes inspirados. Uma vida planejada tende a ser uma vida mais simples, que por sua vez é uma vida mais barata e desfrutada.

2 - Ser um Consumidor Consciente é aprender a balancear o uso da razão e da emoção na hora das compras?

Eu diria que é balancear o uso da razão e da emoção na hora de se planejar, e não na hora das compras. Racionalmente, precisamos prever que é necessário deixar a emoção aflorar de vez em quando, e por isso devemos ter uma verba regularmente destinada a pequenos prazeres. Não devemos cortar o cafezinho ou o massagista, mas sim assegurar que não faltem recursos para o que amamos. Por isso, para garantir nosso cafezinho, talvez seja necessário ter uma casa 1% mais barata.

Se o consumir gosta de ir às compras, planeja-se para isso e conhece a verba que tem na hora de consumir, pode torrar essa verba com gosto e com a certeza de não estar criando problemas financeiros futuros. Isso é muito prazeroso e saudável para quem tem uma rotina muito intensa.

3 - Como as famílias podem se organizar para controlar as finanças e manter um padrão de vida que traga prazer de viver?

É preciso inverter a ordem das escolhas. A maioria das famílias escolhe primeiro a moradia, depois o automóvel, seguida da escola das crianças, vestuário e plano de saúde. Se sobrar, há algum lazer. Se espremer bastante, talvez dê para poupar. Tudo errado! O que recomendo às famílias é que primeiro discutam a verba de que precisam para estarem felizes no bairro em que querem viver. Isso incluir gastos com lazer, qualidade de vida, bem-estar, presentes e vontades pessoais.

Uma vez discutida essa verba, é hora de discutir a segurança financeira, ou seja, quanto poupar para assegurar o padrão de vida ao longo dos anos. Só depois de definir quanto gastar com lazer e quanto poupar é que a família deve discutir o padrão de sua estrutura de vida. Naturalmente, para estar mais feliz, a família deve viver em uma estrutura mais barata, assegurando que não falte o consumo de bem estar e a poupança.

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